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De Gengis Khan ao Capital Intelectual

Informação, estratégia e poder

Quando Gengis Khan (1162-1227DC) começou a aterrorizar os povos da Ásia, Europa e Oriente Médio, a fama que o precedia enfraquecia a resistência. A invasão era suficientemente rápida para se antecipar às medidas defensivas e lenta o bastante para se aproveitar do medo paralisante. Ele, deliberadamente divulgava informações a seu respeito, aos povos e exércitos que pretendia atacar.
Dispunha em muitas ocasiões de forças inferiores em número e recursos (ás vezes de 5 para 1), e a integração entre sua estratégia e meios de informação (2 a 3 vezes mais rápidos do que o dos adversários) foi lhe ampliando o poder.
Em uma linguagem moderna, a estratégia de Genghis Khan foi:
“ o uso integrado de operações de segurança ( espiões obtinham informações sobre o tamanho e disposição dos exércitos adversários ), ações militares ( rápidos deslocamentos de cavalaria que davam a ilusão de maior volume de tropas ), guerra psicológica (agentes influenciadores eram enviados antes das tropas para difundir boatos sobre a selvageria e tamanho das tropas do Khan e de seu tratamento benigno a não resistentes), guerra de informações ( ao mesmo tempo que utilizava uma rede de cavalos/cavaleiros rápidos para suas mensagens, procurava eliminar os mensageiros dos adversários ) e destruição física ( é possível que tenha morto mais de 20 milhões de chineses e destruído as cidades de Herat, Samarkand e Nishapur ), totalmente apoiada pela inteligência, para bloquear, influenciar, enganar, enfraquecer ou destruir a capacidade de comando e controle do adversário, ao mesmo tempo protegendo a própria capacidade de comando e controle” .
Genghis Khan pretendia incluir na cultura mongol o que de melhor havia nos povos que dominava perdoando os que trouxessem novas ferramentas, idéias e técnicas. Suas tropas eram mistas, com combatentes das várias tribos mongóis e seu comando era exercido por uma meritocracia, leal e com grande autonomia. Após sua morte, o império mongol criado perdurou até 1298 com Kublai Khan. Foi o primórdio da “organização que aprende”.
Só mais recentemente que esta visão estratégica integrada foi utilizada em algumas batalhas de Napoleão, parcialmente na Guerra das Malvinas e enfaticamente na 2ª guerra do Iraque.
Como esta estratégia pode ser aproveitada por organizações pacíficas e empresas, na conquista de público e mercados?
No aspecto de organização interna, flexível e ágil: manter unidades ou parceiros leais, autônomos, multidisciplinares, orientados a resultados e que aprendam.
Para garantir a coesão da organização (capacidade de comando e controle) apoiar estes parceiros/unidades com inteligência ( gestão do conhecimento tecnológico e mercadológico, previsões e análises sobre pontos críticos). Promover sua participação no direcionamento tático e estratégico das ações operacionais.
Utilizar de forma integrada ações para redução de riscos (como pesquisar preferências de clientes e lançamento de produtos concorrentes); ações mercadológicas (como promoções em determinadas praças); propaganda; “ocupação” da mídia e eventualmente “ocupação” dos canais de distribuição dos concorrentes.
Na era da comunicação digital instantânea é difícil esconder seus movimentos e retardar a reação dos concorrentes, a menos que você disponha de mais recursos/aliados do que aparenta.
Esta é uma essência crítica das atuais estratégias nos negócios: não apenas a difusão interna de informações rápidas, circunstanciadas sobre o mercado, tecnologia e concorrência, mas a proteção ativa e coesa de informações estratégicas e operacionais ao acesso dos concorrentes.
Não é surpresa a criação na legislação (HIPAA) e em normas de negócio e sistemas (COBIT e ITIL) de dispositivos que garantam a proteção aos dados e a privacidade no seu acesso.
As “guerras” comerciais de hoje são muito menos sangrentas que no passado, mas são mais rápidas e letais. A tecnologia permite a transferência de linhas de fabricação e montagem em meses, a redução brutal de custos, o avassalador lançamento de inovações.
A sobrevivência das empresas modernas depende cada vez mais de suas informações e estratégia e menos de seu poder. Poder que está mais ligado ao seu papel na comunidade de negócios, às parcerias que detém, aos públicos que atende. Este conjunto de informações, conhecimento, parceria, relacionamento, estrategicamente voltado aos negócios da empresa, hoje é denominado de capital intectual.